13/04/2026

A obra de Manoel Araújo revela, com clareza, a estrutura histórica da cadeia do cacau: produção no território, escoamento pelos portos e transformação final fora — especialmente na Europa, onde o valor era capturado. Os murais não são apenas arte. São um registro direto de como o território foi organizado para produzir riqueza… mas não necessariamente para retê-la. Agora, estamos diante de uma mudança concreta: o povo da cabruca começa a fechar esse ciclo, produzindo o próprio chocolate, agregando valor na origem e reposicionando o território. Mas aqui está o ponto que precisa ser enfrentado: essa transição ainda não está reconhecida nem protegida institucionalmente. Seguimos sem o devido reconhecimento da paisagem cultural da cabruca — mesmo com protocolo já realizado no Ministério Público Federal — e sem uma articulação à altura desse novo momento. Estamos iniciando essa virada de chave: reconhecimento histórico + valorização econômica + protagonismo territorial. Vamos organizar uma reunião de alinhamento nos próximos dias. Quem está disposto a participar ativamente dessa construção — conectando cultura, produção e posicionamento estratégico do cacau? Porque a verdade é simples: ou o território assume esse novo ciclo, ou outros vão continuar capturando o valor por ele.

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