Mais do que uma atividade econômica, a cacauicultura tradicional do Sul da Bahia moldou uma das mais singulares paisagens agroflorestais do planeta. O sistema Cabruca permitiu a convivência entre a produção de cacau e a conservação da Mata Atlântica, constituindo ao longo de mais de um século uma experiência única de interação entre natureza, trabalho, ciência e cultura. O manifesto destaca que a região cacaueira reúne atributos excepcionais: elevada biodiversidade, conhecimentos tradicionais transmitidos entre gerações, patrimônio arquitetônico, memória científica, identidade cultural própria e uma profunda relação histórica entre as comunidades locais e o território. A proposta também ressalta o papel da Comunidade Tradicional Grapiúna como guardiã desse patrimônio biocultural, bem como a importância histórica de instituições que contribuíram para a construção da identidade regional e para o desenvolvimento do sistema produtivo do cacau. O início desse diálogo com a FAO representa um passo estratégico para o reconhecimento internacional da contribuição da região cacaueira baiana à conservação ambiental, à segurança alimentar, à adaptação às mudanças climáticas e à preservação dos saberes tradicionais. A construção dessa candidatura dependerá da mobilização conjunta de produtores, comunidades tradicionais, universidades, instituições de pesquisa, organizações da sociedade civil e poder público, em um esforço coletivo voltado à valorização de um patrimônio que pertence não apenas ao Sul da Bahia, mas à humanidade. O Instituto INSTEC reafirma seu compromisso com a salvaguarda da civilização grapiúna e convida todas as instituições interessadas a participarem desse processo de construção coletiva, que poderá posicionar a região cacaueira da Bahia entre os mais importantes patrimônios agrícolas do mundo. Instituto INSTEC de Salvaguarda Pela proteção da Cabruca, da Mata Atlântica e da Civilização Grapiúna.